São Paulo / SP - segunda-feira, 22 de setembro de 2014

RISCOS E COMPLICAÇÕES

- COMPLICAÇÕES CIRÚRGICAS

 

17.1 - DEISCÊNCIA DE SUTURA CIRÚRGICA ( ABERTURA DOS PONTOS)

 

                        CAUSAS PROVÁVEIS DA FALHA DE CICATRIZAÇÃO E ABERTURA DE SUTURAS:

 

                         • infecção;

                         • desnutrição: hipoproteinemia (regimes com dietas mal orientadas);

                         • idade avançada;

                         • uremia;

                         • diabetes;

                         • uso de corticoides;

                         • hipóxia;

                         • tabagismo,drogas, bebidas alcoólicas

                         • tosse e vômitos incoercíveis;

                         • esforço físico precoce;

 

Existem casos raros de rejeição aos fios de sutura (pontos).

 

                        Caso haja abertura de pontos, avise seu médico , porém muitas vezes a tensão da pele não permite que imediatamente se tente dar pontos novamente, principalmente se a pele abriu para drenar seroma (gordura com resíduos de sangue da cirurgia), neste caso, se fecharmos a pele,  novamente tentará abrir para drenar espontaneamente. Por isso, seu médico irá avaliar , cuidar, tratar e saberá a época adequada de ressuturar ( dar novos pontos ) ou deixar cicatrizar sem pontos.

 

17.2 - HEMATOMA – SANGRAMENTO

 

Até o final da cirurgia, estaremos sempre  revisando se há sangramentos, porém após termina-la , por mais que coloquemos cintas compressivas, com seus movimentos ao acordar, sua pressão arterial subir de ansiedade, dor, fazer esforços não permitidos no pós operatório, pode fazer com que alguma área volte a sangrar . Pequenos sangramentos não causam maiores problemas, porém aumentos de áreas operadas desproporcionais de um lado para o outro do corpo podem significar um vaso que se rompeu e se mantem sangrando, por vezes sendo necessário uma revisão no centro cirúrgico, com nova internação.

                       

17.3 -RISCO DE TROMBOSE E EMBOLIA PULMONAR NO PÓS OPERATÓRIO ( MAIOR CAUSA DE OBITO EM CIRURGIA PLÁSTICA SE NÃO RESOLVIDA A TEMPO) – FONTE: http://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/embolia-pulmonar/

 

                        A embolia pulmonar é causada pela obstrução das artérias dos pulmões por coágulos (trombos ou êmbolos) que, na maior parte das vezes, se formam nas veias profundas das pernas ou da pélvis e são liberados na circulação sanguínea. Apesar de mais raros, também existem casos de embolias gordurosas provocadas por traumas ou fraturas, de embolias aéreas (bolhas de ar) e de líquido amniótico.

 

                        A gravidade do quadro está diretamente correlacionada com o tamanho do êmbolo. Os maiores podem interromper completamente a circulação pulmonar. Essa condição pode ser mortal.

 

Causas

                        São fatores de risco para a embolia pulmonar a imobilidade prolongada, cirurgias extensas, câncer, traumas, anticoncepcionais com estrógeno, reposição hormonal, gravidez e pós-parto, varizes, obesidade, tabagismo, insuficiência cardíaca, idade superior a 40 anos, DPOC e distúrbios na coagulação do sangue.

 

                        Recentemente, três importantes trombofilias hereditárias foram descobertas como sendo responsáveis pela maioria dos eventos tromboembólicos em pacientes sem risco aparente de trombose. A primeira, uma mutação no gene do Fator V de Leiden, é encontrada em aproximadamente 5% da população e é responsável por 20-30% dos eventos de tromboembolismo venoso. Esta mutação em homozigotos (dois alelos mutados) aumenta o risco de trombose venosa em até 80 vezes. Em heterozigotos (um alelo mutado) aumenta o risco 8 vezes. O uso de contraceptivos orais e as gestações aumentam estes riscos basais.

 

                        Na segunda, a mutação no gene da Protrombina é associada com o aumento da concentração da protrombina plasmática e aumenta o risco para tromboembolismo venoso e trombose cerebral. Indivíduos que possuem um gene alterado (heterozigoto) para esta mutação têm um risco 6 vezes aumentado de sofrer uma trombose venosa. O risco é consideravelmente aumentado pelo uso de contraceptivos orais e na gravidez.

 

                        Caso a mulher seja portador heterozigota para os dois genes (Fator V e Protrombina) o risco de um acidente vascular cerebral isquêmico (AVC) pode aumentar em 149X se a mesma fizer uso de anticoncepcional oral. Portanto, o exame de DNA de detecção da mutação para esses dois genes torna-se necessário em qualquer mulher que venha fazer o uso de anticoncepcional oral, que queira engravidar ou iniciar uma terapia de reposição hormonal.

                       

                       Na terceira forma de trombofilia hereditária, a mutação no gene MTHFR (Metilenotetrahidrofolato redutase) é a mais frequente causa do aumento moderado de homocisteína e pode ser encontrado em 5-15% da população. A mutação em homozigose esta associada a um risco 5-6 vezes aumentado de trombose venosa. A homocisteína é um fator independente no risco de arterioesclerose, derrame cerebral, doenças vasculares periféricas e cardiopatias.

 

                        Hoje essas mutações podem ser diagnosticadas por um simples exame de DNA. Toda mulher antes de usar anticoncepcionais orais ou engravidar deve realizar esse exame como triagem, pois a prevenção ainda é o melhor tratamento.

 

                        Como solicitar o exame de trombofilia hereditária?

Solicito exame para mutação dos genes Fator V de Leiden, Protrombina e MTHFR da paciente...

 

                        É necessário apenas um tubo tampa roxa (EDTA) de cada paciente, que pode ser armazenado em temperatura ambiente até o envio para o laboratório. Condições Predisponentes para a trombose venosa profunda:

 

                        1. Obesidade

                        2. Tabagismo

                        3. Idade maior que 40 anos

                        4. Indivíduos que já tiveram trombose previamente

                        5. Varizes

                        6. Uso de Anticoncepcionais e terapia de reposição hormonal

                        7. Câncer

                        8. Gestação e período pós-parto

                        9. Indivíduos com anormalidade genética do sistema de coagulação

                        10. Imobilização por longos períodos

                        11. Hospitalização prolongada

 

 

                        Informações práticas para minimizar o risco de trombose

                        1. Manter o peso ideal

                        2. Ser uma pessoa ativa (praticar exercícios regularmente)

                        3. Evitar períodos prolongados de imobilidade:

                        - Viagens prolongadas de avião - tomar muita água para se manter hidratado, evitar bebidas alcoólicas, usar meias elásticas de nível moderado de compressão

4. Não fumar.

                        5. Controlar doenças médicas crônicas como o diabetes, colesterol alto e insuficiência cardíaca congestiva.

                        6. Comunicar o médico sobre ser portador de trombofilia hereditária ou adquirida.

                        7. Não fazer uso de anticoncepcionais orais ou terapia de reposição hormonal. *

                       

                        Faça exercícios para estimular a musculatura das pernas e a circulação sanguínea sempre que for obrigado a permanecer muito tempo sentado ou imóvel;

 

O QUE FAREMOS PARA EVITAR?

                        1 - NO PRÉ OPERATÓRIO:

 

                        • IREMOS COLHER TODOS OS SEUS DADOS  E DE HISTORIAS FAMILIARES PARA AVALIAR O RISCO.

 

                        • NOS EXAMES PRÉ OPERATÓRIOS SOLICITAREMOS ULTRASSONOGRAFIA DE MEMBROS INFERIORES PARA AVALIAR A FUNÇÃO DAS VEIAS DOS MEMBROS INFERIORES SE ESTÃO SUFICIENTES NO BOMBEAMENTO DELAS, FAREMOS O COAGULOGRAMA PARA AVALIAR TEMPO DE COAGULAÇÃO.

 

                        • HÁ TESTES GENÉTICOS DISPONÍVEIS EM APENAS ALGUNS LABORATÓRIOS QUE PODEM IDENTIFICAR GENETICAMENTE A PROBABILIDADE DE TER TROMBOSE, POIS ASSIM COMO A CIRURGIA ,SE FOR POSSÍVEL AO PACIENTE REALIZAR OS TESTES, MAIS SEGURA SERÁ NOSSA PREVENÇÃO.:

 

2 – NO PÓS OPERATÓRIO:

 

                        • USAREMOS MEIA ANTITROMBOTICA CIRÚRGICA  ACOPLADA A UM BOMBEADOR DE PANTURRILHA COMO PREVENÇÃO,

                        • INJEÇÕES ANTICOAGULANTES NO PÓS OPERATÓRIO EM CASO DE CIRURGIAS EM REGIÕES DE TRONCO  EXTENSAS

                        • SERÁ ESTIMULADO  TÃO LOGO SEJA LIBERADO PARA LEVANTAR DEPOIS DE UM PROCEDIMENTO CIRÚRGICO OU DE UM PERÍODO DE REPOUSO

 

17.4 - FEBRE NO PÓS OPERATÓRIO

 

                        Após uma cirurgia, é comum haver a elevação da temperatura corporal até 37,8 graus Celsius sem maiores significados, conseqüente à elevação do metabolismo e ao trauma cirúrgico. No entanto, temperaturas maiores de 38 graus Celsius podem representar, conforme o tempo decorrido desde a cirurgia:

 

                        • até 48 horas - atelectasia (o(a) paciente respira de forma curta devido a dor pós operatória e o pulmão não expande de ar completamente, causando uma retração na base do pulmão, cujo tratamento é exercícios respiratórios , expandindo bem o pulmão de ar lentamente. Doenças anteriores não diagnosticadas . Outra causa de febre nas primeiras 48 horas  pode ser porque o(a) paciente estava iniciando sintomas como dor de garganta, ou cistite ( dificuldade de urinar por infecção) imediatamente antes da cirurgia e não reparou e após a cirurgia, devido a imunidade cair pela recuperação do corpo, esta se torna mais agressiva causando febre. O tratamento é avisar ao médico para que ele a examine e oriente o tratamento, se necessário consultar  especialista da área ( urologista, pneumologista, otorrinolaringologista, etc).

                        • terceiro e quarto dia: pneumonias- devido a imunidade mais baixa após a cirurgia, alguns pacientes podem desenvolver infecções

                        • quinto dia: pode indicar que esta havendo uma infecção na área operada, devera ser avisado o medico para examinar e iniciar tratamento especifico. Os fatores sistêmicos que favorecem o surgimento de infecção cirúrgica são: desnutrição, obesidade, presença de infecção concomitante em outro local do corpo, depressão da imunidade, uso de corticoesteróides e citotóxicos, diabetes, hospitalização prolongada, doenças debilitantes e consumptivas como câncer.

 

17.5 - DIFICULDADE DE DEFECAR APÓS A CIRURGIA

 

                        Pode haver esta dificuldade devido a medo de dor, uso de cintas que não nos deixam á vontade , alem do uso de medicações analgésicas que diminuem os movimentos intestinais. Por isso é necessário tomar bastante liquido, andar como uma fisioterapia para que os gases se desloquem , pelo menos 5 a 8 x ao dia pela casa, para estimular; comer frutas como ameixas, mamão, iogurtes e, se necessário, usar lactulona xarope para ajudar a estimular o intestino ( não indicado para diabéticos).

                       

17.6 - DORES DE CABEÇA

 

                        Sempre observar se era uma dor ja conhecida do paciente, como enxaqueca, estar próxima a período menstrual, problemas de ATM. Caso haja dor que aumenta violentamente ao ficar na posição de pé e melhore completamente ao deitar , pode significar uma reação ao bloquieo anestésico peri-dural, onde há um escape do liquido que envolve a medula na área da coluna  ( liquor) por um pequeno orificio e será necessário um procedimento chamado de Blood patch ( remendo de sangue), se retira uma seringa de sangue da veia do próprio paciente e se injeta na região do bloqueio peri dural, formando um coágulo no local e vedando o vazamento do liquor. O paciente deve avisar seu médico, e se hidratar bem.

                       

18 - CUIDADOS PÓS OPERATÓRIOS  PARA DIABÉTICOS E PORTADORES DE ALTERAÇÕES DE TIREOIDE

 

                        Toda cirurgia causa um desequilíbrio, um desgaste do corpo em querer revitalizar, se recuperar, por isso indivíduos que já tem diagnósticos de diabetes, hiper ou hipotireoidismo, deverão,  durante o pós operatório, manter contato com seu endocrinologista para realizarem exames seriados, ja que qualquer estress do organismo pode alterar nossos hormónios e , caso isso ocorra e nao seja identificado , poderão aparecer alterações cicatriciais, retenção de liquido e sintomas de tonturas e outros.